domingo, 9 de dezembro de 2007

China: casal de tartarugas é esperança de espécie

Despercebida e nada apreciada por cinco décadas, uma grande tartaruga fêmea de carapaça manchada e rugosa se tornou hoje peça preciosa no decadente zoológico de Changsha. A tartaruga vem sendo alimentada com uma dieta especial de carne crua, e o pequeno tanque em que vive está protegido por vidro a prova de balas. Os movimentos do animal são acompanhados por uma câmera de vigilância. O objetivo é simples: a tartaruga não pode morrer.
No começo do ano, cientistas concluíram que se tratava do último exemplar fêmea existente no mundo da tartaruga de carapaça macia do Yangtzé. A tartaruga tem 80 anos de idade e pesa mais de 40 kg. Ao que parece, também só resta um exemplar de macho da espécie, em um zoológico da cidade de Suzhou. O macho tem 100 anos de idade e pesa cerca de 90 kg. Os dois são a última esperança de salvar o que se acredita seja a maior espécie de tartarugas de água doce existente no mundo.

"Trata-se de uma situação muito crítica", diz Peter Pritchard, especialista norte-americano em tartarugas que está envolvido nos esforços para preservar a espécie. "Elas são tão grandes, e têm uma aura de mistério. Sua importância não deveria ser ignorada".

Para muitos chineses, as tartarugas simbolizam a saúde e a longevidade, mas a saga das duas últimas tartarugas gigantes do Yangtzé na verdade simboliza mais a ameaça que a biodiversidade e a fauna chinesas vem enfrentando. Poluição, caça descontrolada e o desenvolvimento econômico acelerado estão destruindo habitats naturais, e colocando em risco as populações de plantas e animais.

A China abriga um dos maiores acervos de biodiversidade do planeta, mas o mais recente levantamento de largo alcance sobre a situação das plantas e animais do país revela um quadro sombrio, que se agravou ainda mais ao longo dos 10 últimos anos. Cerca de 40% das espécies chinesas de mamíferos estão ameaçadas, hoje, segundo os cientistas. Para as plantas, a situação é ainda pior: 70% de todas as espécies que não produzem flores e 86% das espécies que produzem flores enfrentam riscos.

Um problema crucial é a disputa feroz por terra e água. O objetivo chinês de quadruplicar a produção da economia nacional até 2020 significa que a indústria, o crescimento das cidades e os agricultores estão em disputa pela área limitada de terra utilizável. Cidades e fábricas muitas vezes se expandem por terras antes usadas para agricultura; isso leva os agricultores a ocupar outras terras, antes inexploradas comercialmente, que serviam de habitat para diversas espécies. De acordo com uma pesquisa, a China já perdeu metade de suas terras alagadas.

Para os cientistas chineses e os ecologistas que estão tentando reverter essas tendências, o desafio continua a ser tentar convencer o governo de que proteger as espécies naturais é uma prioridade. Os líderes do país há séculos enfatizam o domínio sobre a natureza, em lugar da coexistência com ela. Animais e plantas continuam a ser encarados como mercadorias utilizáveis para fins alimentícios e medicinais, e não como componentes essenciais da ordem natural.

Lu Zhi, professora de biologia da conservação na Universidade de Pequim, diz que "toda a idéia de ecologia e ecossistemas é novidade para os chineses". "Muitas espécies estão sendo negligenciadas", diz Lu, que também comanda a afiliada chinesa da Conservation International. "Vejam o baiji (o boto típico dos rios chineses). A extinção foi anunciada, e o que foi feito? Nada. As pessoas se limitaram a sentir pena". Depois, aludindo à tartaruga gigante do Yangtzé, ela acrescentou: "A tartaruga é a próxima".

Os especialistas chineses nos últimos anos vinham identificando a tartaruga gigante do Yangtzé como espécie em sério risco de extinção. Mas, no zoológico de Changsha, os funcionários não sabiam que os biólogos estavam conduzindo uma busca nacional por exemplares da espécie. De fato, eles pouco sabiam sobre a tartaruga fêmea. "Nós a tratávamos como um animal normal", diz Yan Xuhui, diretor assistente da instituição. "Não imaginávamos que viesse a ser tão importante".

Com seu formato largo e achatado e sua carapaça dorsal de consistência semelhante à do couro, os machos da espécie podem ultrapassar os 100 kg. As fêmeas são menores. Por volta dos anos 90, Zhao Kentang, renomado especialista chinês em tartarugas, havia compreendido a importância da espécie e começou a tentar convencer os zoológicos a promover sua procriação, mas sem sucesso.

Em 2004, depois de conduzir pesquisas de campo na China e Vietnã, os especialistas concluíram que restavam apenas seis tartarugas, três delas em zoológicos chineses - em Pequim, Xangai e Suzhou; duas outras viviam em um tempo budista em Suzhou; e a sexta vivia em um famoso lago vietnamita no centro de Hanói.

Enquanto os especialistas e diretores de zoológicos negociavam, duas das tartarugas morreram; só em janeiro deste ano foi identificada a presença de uma fêmea no zoológico de Changsha, em resposta a uma circular sobre o problema distribuída em todo o país.

A extinção continua a ser uma possibilidade concreta para a espécie. Em setembro, os zoológicos de Changsha e Suzhou enfim chegaram a acordo para promover uma tentativa de procriação, mas nenhum dos dois queria transferir seu espécime. O acordo previa uma tentativa de inseminação artificial, a ser realizada no ano que vem.

Gerald Kuchling, um dos especialistas que comandam o projeto, disse que não havia garantia de sucesso. Alguns anos atrás, uma tartaruga que passou por inseminação artificial morreu pouco depois do procedimento, no Havaí. Em maio, ele diz ter conduzido um ultra-som nos ovários da tartaruga de Changsha.

"O principal problema é obter uma amostra realmente viável de esperma do macho sem machucá-lo de maneira alguma", disse Kuchling, segundo o qual o uso de choques elétricos de baixa intensidade é uma forma de obter uma amostra, assim como massagens manuais.

Em Changsha, a tartaruga se tornou uma espécie de celebridade, depois de ser tema de artigos em jornais locais. O zoológico a transferiu para um tanque separado, a fim de garantir mais segurança e vigilância. Mas os especialistas estão preocupados porque o zoológico vem aquecendo a água do novo tanque, no inverno, ainda que a tartaruga tenha vivido durante décadas no tanque externo, de água fria. Eles também se preocupam por o novo tanque não oferecer lodo, algo de que a tartaruga precisa para hibernar.

Cientistas e organizações não governamentais desempenharam papel essencial na tentativa de preservar a espécie. O governo se envolveu, ainda que de forma um tanto passiva. Sob o sistema usado na China, o Ministério da Agricultura supervisiona a tartaruga. Até agora, a instituição concordou em fornecer o equivalente a US$ 27 mil em verbas, mas o dinheiro ainda não chegou.

A tartaruga de Changsha será transportada a Suzhou, no ano que vem. Um tanque especial para a procriação deve ser construído. Os cientistas começarão tentando inseminação artificial, mas caso o procedimento falhe as duas velhas tartarugas tentarão ao velho estilo. O destino de uma espécie depende disso.
Fonte: iparaiba (Brasil)

1 comentário:

butterfly_life disse...

Olá! =D em ~1º lugar a imagem da semana é mesmo fofA =P !
e 2º... eu vi no site dos 4amigos4ever e PARABENNNSSS!! e Bibaaaa ao Emanuel =P =P! =D
Parabens ^^! e k recebas mts prendinhas xP !
BjOkas! **

http://butterfly_life.blogs.sapo.pt

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